Como a organização pode mudar a vida das pessoas

Cada vez que eu termino uma turma do Curso de Personal Organizer eu fico muito feliz em poder ver nos olhos das pessoas a mudança através da organização. Agora, se tem um momento em que isso tudo se comprova, em que no final eu posso dizer: “É, eu consegui mudar a vida de uma pessoa”…esse momento com certeza é o final de organização residencial.

Ainda é muito comum vermos pessoas achando que a Personal Organizer vai até sua casa apenas pra dizer que você tem que jogar tudo fora, que nada serve pra nada, que vai fazer dobras iguais (porém lindas!) pra todo mundo e vai embora deixando seu armário lindo.

Bom, o armário até fica lindo mesmo, mas todo o resto é mentira! Sim, mentira…

Um boa Personal Organizer que se preze, primeiro vai conversar bastante com a (o) cliente. Entender suas expectativas, e avaliar o local. Depois vai ver quem mantêm aquele espaço minimamente arrumado, ou se não mantém. Vai pensar em como a pessoa pode manter. Vai usar algumas ferramentas pra isso. Ufas! E esse é só o começo…

É claro que “normalmente” quando somos chamadas, as pessoas não costumam fazer a sessão de desapego que às vezes a gente tem que fazer no armário (pois só assim conseguimos manter um número razoável de roupas e coisas que temos) e nós orientamos em relação ao desapego.  Essa orientação é super profissional, só orientamos à desapegar o que é de fato “além da conta” sabe? O desapego tem que ser algo natural, a pessoa tem que entender que não precisa mais daquilo e pra isso vamos ganhando a confiança do cliente, vamos usando argumentos relacionados ao espaço que a pessoa tem, à vida que tem e relacionando com as coisas que ela tem.

Olha, normalmente dá certo…

OBS: só pra você ter uma idéia do que a cliente falou, após doar 9 sacos de roupas e etc…de 100 litros (daqueles de lixo):

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Continuemos…

Feita essa parte de desapego, começamos a pensar em soluções. Soluções nem sempre tão bonitas, mas práticas de manter do dia-a-dia corrido que todo mundo tem. A intenção do nosso trabalho não é fazer algo que a pessoa tenha um armário impecável e que ela ou a empregada não consigam manter. Ela tem que me ver uma vez só na vida (salvo exceções, como a que vou contar abaixo). Por isso é um trabalho considerado “caro”, é um trabalho feito pensando em uma série de coisas e adequando à vida do cliente.

Agora vamos à história que me fez escrever esse post: o atendimento de uma cliente antiga, pela segunda vez. Pois é, não foi manutenção, pois como ela mesma disse, ela manteve direitinho, mas…

Há 1 ano atrás fizemos a organização do quarto dela (uma moça que ainda mora com os pais, mas tem sua profissão, super independente e tal…). Quando chegamos lá havia muita roupa repetida, ela estava no meio do caos e não sabia como sair. ela não é naturalmente organizada e precisava realmente de um empurrão. Ela fez isso pouco antes de uma fase muito importante de sua vida: estava estudando, fazendo monografia e iria se formar. Bom, pelo que ela contou, após a organização a vida fluiu de uma forma tão leve que muitas coisas aconteceram…

Aconteceram tantas coisas que nesse 1 ano ela: emagreceu 15 quilos, viajou para uns 4 lugares diferentes, morou fora e ainda se mudou 2 vezes. A última mudança aconteceu em meio à viagem dela (e sem a ajuda de uma Personal Organizer) então simplesmente jogaram tudo dentro do quarto dela e ela voltou no meio disso tudo. É claro que, depois disso tudo, o caos estava formado. Ela até tentou sozinha, mas viu que não estava fluindo. Era preciso dar um novo primeiro passo…

Mais uma vez ela chamou a gente à beira de um momento muito importante da vida dela: ela está fazendo um curso e tem uma mega prova de residência médica no final do ano. Só a organização para salvá-la! Aliás, ela diz que provavelmente só perdeu os 15 quilos porque começou a reorganizar a vida toda, começando pelo armário (e você aí achando que é besteira…vai vendo!).

Bom, foram 3 dias intensos! Ela botou muito a mão na massa. Experimentou o armário inteiro, já que perdeu 15 quilos e ainda não tinha feito “a limpa”. Doamos muita coisa. Jogamos muita coisa fora (haviam cosméticos e remédios fora da validade, pois no meio disso tudo, eles se perderam). Pra você ter uma idéia, depois do primeiro dia ela começou a ter uma espécie de alergia (a pele começou a dar umas bolinhas) e ao ligar pro médico, ele falou com todas as letras: “Isso é psicológico, não vou te passar nenhum remédio pois não vai resolver. Seu quarto e sua vida estão passando por uma transformação nesses 3 dias, o corpo sente. É normal!”. Nossa, fiquei até arrepiada quando ela me disse isso.

No segundo dia, quando já havia categorizado tudo e pelos menos já dava pra ver o quarto “todo no lugar” mas ainda sem dobras bonitas e os “fru frus” devidos, ela já andava pelo quarto falando: “Gente, como é bom poder ter o domínio da minha vida novamente. Saber o que eu tenho, o que eu não tenho”.

Bom, agora vamos às fotos…

Quando eu cheguei, só a parte do closet, estava assim… Imagina o restante do quarto!

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Essas foram as 9 sacolas de doação e lixo que saíram de dentro do quarto:

Um pouco do resultado final:

E termino com a frase que eu tanto gosto de dizer: “É, eu consegui, mais uma vez, mudar a vida dessa pessoa…”